Negócio Próprio ou Franquia? Qual modelo empreender?

           

 

 

 

 

        O dilema entre investir em uma franquia ou iniciar um negócio próprio assola diversos Brasileiros quando tomam a decisão de empreender. Afinal, existe um modelo mais adequado entre essas duas alternativas? Não, não existe um modelo soberano nesse caso. Dizer que um ou outro modelo é melhor vai depender do perfil do empreendedor, das características do investidor, sem contar as peculiaridades do negócio e segmento de mercado escolhido.

 

EMPREENDER EM FRANQUIA DIMINUI RISCOS?

       Se formos levar em consideração o modelo de franquia que implica em um investimento inicial do franqueado para que haja treinamento e transferência de “know-how” por parte do franqueador, podemos dizer que os riscos podem diminuir sim, até consideravelmente. No caso do negócio próprio, ainda que o interessado busque assessorias específicas, ele o fará de forma separada e haverá risco em se perder algum conhecimento importante.

        Entre dois novos empreendedores que tenham pouca ou nenhuma experiência na atividade empresarial, aquele que receber orientação e capacitação de quem possui um negócio de sucesso, testado, comprovado e que participe de inúmeras ações compartilhadas com a rede, poderá ter mais chances de sucesso do que o outro que tenha que desbravar e adquirir conhecimentos de maneira isolada, sozinho.

               Já comentamos em outro artigo que a falta de planejamento, conhecimento, gerenciamento, noções sobre fluxo de caixa, análise da concorrência, entre outros fatores, levam diversos empresários a fecharem suas atividades de maneira precoce no Brasil. Se o modelo de franquia realmente possui um programa de treinamento e capacitação permanente para seus franqueados, com suporte permanente, vários obstáculos empresariais poderão ser superados com maior facilidade.

 

 

COMO O MODELO DE FRANQUIA PODE DIMINUIR RISCOS PARA O EMPREENDEDOR?

  • Pela transferência de “know-how” e conhecimentos no início e durante o todo o processo.

  • Pelo suporte permanente.

  • Pela atuação em rede, o que aumenta a força de barganha para melhor negociar com fornecedores diversos e promover ações de marketing para todos os franqueados.

  • Pelo negócio franqueado ser submetido a testes de mercado constantemente, sofrendo aperfeiçoamentos e adequações contínuas.

  • Pela marca, muitas vezes sólida e com anos de aceitação no mercado.

 

QUANDO O MODELO DE FRANQUIA FRACASSA?

          Apesar de vários benefícios e vantagens, nem sempre o modelo de franquia funciona adequadamente e negócios franqueados também fecham as portas. A proporção é menor do que a mortalidade que incide sobre os negócios próprios, mas elas ocorrem com razoável frequência e não está relacionada, apenas, com o perfil e atuação do franqueado. Vejamos alguns dos principais motivos:

 

MOTIVOS RELACIONADOS À FRANQUEADORA

  • Franqueadoras que não selecionam seus franqueados adequadamente.

  • Franqueadoras que não capacitam seus franqueados adequadamente.

  • Franqueadoras que divulgam promessas que não são alcançáveis para todos.

  • Franquias mal formatadas com produtos pouco testados no mercado. São as empresas que buscam ser franqueadoras antes de terem um produto ou serviço sólido, testado durante anos.

  • Franqueadoras que não possuem um bom programa de transferência de conhecimento e “know-how” e suporte para o franqueado.

  • Franqueadoras que voltam suas preocupações muito mais para receber royalties do que construir uma rede sólida benéfica para os envolvidos.

  • Falta de um programa de suporte por parte da franqueadora.

MOTIVOS RELACIONADOS AO FRANQUEADO

  • Ação impulsiva da escolha pelo negócio franquia sem uma correta pesquisa e planejamento.

  • Falta de empenho e dedicação ao negócio por parte do franqueado achando que por ser franquia não há necessidade que trabalhar muito ou achar que a franqueadora irá cuidar do negócio por ele.

  • Escolha de um segmento de mercado inapropriado para o seu perfil.

  • Franqueado que não cumpre as recomendações e orientações da franqueadora.

  • Franqueado que age ou quer agir com autonomia de quem monta um negócio próprio.

  • Franqueado com dificuldades em aceitar as regras e padrões impostos pela franqueadora.

 

 

 

PRA QUEM O MODELO DE FRANQUIA PODE NÃO SER ADEQUADO?

            Para empreendedores natos, aqueles não se cansam de observar a sociedade e o mercado e achar soluções para diversas demandas. Pessoas que adoram inventar, inovar, testar e aperfeiçoar produtos e serviços. Esses indivíduos tendem a ter dificuldade em seguir regras, padrões, se angustiam em não poder modificar produtos e serviços, em possuir sua liberdade limitada no negócio e não concordam com diversas ações, inclusive questionam com frequência o próprio pagamento de royalties. O desconforto com a relação estabelecida no sistema de franquia passa a ser tamanho que começa a prejudicar a gestão do negócio.

 

E O NEGÓCIO PRÓPRIO? POSSO TER SUCESSO AGINDO DA MINHA MANEIRA?

       Começar do zero permite que empresários criem produtos ou serviços que acreditem suprir necessidades ou anseios de pessoas de maneira livre. Se o faro de oportunidade e a capacidade criativa estiverem certos e se esses empreendedores buscarem conhecimentos e competências para empreender, poderão nascer então negócios de sucesso.

Sabe-se, no entanto, que boas ideias nem sempre geram empresas prósperas por muito tempo. É necessário muito conhecimento, planejamento, gestão, estudos e pesquisas, comprometimento, perseverança, relacionamento, enfim, são vários fatores adicionais. Boas ideias podem gerar negócios desgastantes que até fracassem por falta de gestão. Uma boa gestão, em contrapartida, pode transformar negócios simples e tradicionais em empresas fortes e saudáveis. E é exatamente a gestão, em linhas gerais, que falta para muitos empreendedores.

VEJAMOS AGORA ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO NEGÓCIO PRÓPRIO

  • Maior autonomia nas decisões

  • Independência para criar e inovar

  • Possibilidade de ajustes de percursos como o empresário achar conveniente e adequado

  • O empreendedor é o senhor de suas ações

  • O empresário está sozinho no mercado e não tem a quem recorrer, a não ser que busque consultoria e assessoria, para ajudar em suas decisões.

  • O empresário não possui muitas informações de resultados e fornecedores, uma vez que não possui uma rede para troca de informações.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            A escolha entre investir em uma franquia ou empreender em um negócio próprio deve ser pautada em critérios bem definidos e que eles levem em consideração características pessoais dos interessados.

No caso de franquia, o interessado deve fazer uma avaliação do grupo que ele irá participar, se seus produtos e serviços o agradam, qual a força da marca, as regras que serão impostas, a relação investimento e retorno, perspectivas de resultados futuros, quais serão os treinamentos e suportes iniciais e durante o contrato, conversar com outros franqueados para saber como andam seus negócios e identificar como a franqueadora investe em pesquisa e marketing compartilhado com os recursos oriundos dos franqueados.

Entrar em um grupo forte com um produto ou serviço amplamente testado e aceito e poder contar com uma estrutura de apoio e suporte pode ser uma excelente forma de iniciar uma atividade empresarial, sobretudo para aqueles com menor experiência e vivência.

          Quando a avaliação comparativa parte do modelo franquia e caminha em direção ao negócio próprio, uma primeira análise é definir se todo o suporte e transferência de know-how em caso de franquias são realmente fundamentais para o interessado. Será que com os valores aportados no início (taxa de franquia) e durante (pagamentos de royalties mensais) no modelo de franquia ele não consegue buscar assessorias específicas para alavancar um empreendimento próprio? O interessado realmente possui perfil empreendedor? Estará ele preparado ou poderá se preparar para todas as atividades empresariais com sucesso?

        Ter a liberdade de criação e ajustes, especialmente para aqueles que acreditam poder desenvolver produtos e serviços adequados para a sociedade, contratar assessorias especializadas para as áreas necessárias e que não sejam dominadas pelo empreendedor, montar uma estrutura de gestão profissional, ter facilidade de relacionamento são características que exigirão esforço e empenho adicional do empreendedor para que ele atinja sucesso. O caminho aqui parece ser mais tortuoso. No entanto, com dedicação e inteligência empreendedora, o investidor poderá direcionar suas atividades como preferir, como entender ser adequado, de maneira autônoma e independente.

Então? Qual modelo é mais adequado para você?

 

            Se você tem uma dúvida, uma crítica ou sugestão envie um e-mail para contato@invoop.com. Será um imenso prazer contarmos com sua colaboração e, assim, tornarmos nosso conteúdo mais adequado a comunidade Invoop.

 

 

* Daniel Machado Coelho integra o time de profissionais prestadores de serviços da Invoop. É especialista em gestão empresarial pela FGV, consultor de empresas em gestão baseada em valor, em avaliação de empresas, consultor membro do Franchising Group que presta serviços especializados para todos os momentos de uma rede de franquias e atua como business broker há mais de 08 anos, com participação ativa intermediando inúmeras negociações de compra e venda de empresas.

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